segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

3º Dia – Machu Picchu



Acordamos as seis de manhã e saímos rumo a Machu Picchu. Ainda não tínhamos os bilhetes de entrada e, então, fomos à oficina. A Mari, mas uma vez conseguiu pagar metade, 70 soles, eu e o Jotinha pagamos 130. Os ônibus que saem para MP saem com freqüência e a viagem sai por 18 soles.

O caminho para MP já é sensacional, subindo caminhos estreitos e já é possível ver as várias nuvens de em volta das montanhas. Chegamos por volta das sete e meia, conversamos com um guia que cobraria 20 soles por cabeça para um grupo de até 5 pessoas. Enquanto esperávamos que ele arrumasse mais pessoas, fomos até a lanchonete e nos deparamos com preços assustadores! Um copo de água por 10 soles, um sanduba com uma cara feia por 22 soles... enfim, preços turísticos!



O mundo é realmente uma pracinha! Nessa hora encontramos um casal da Unesp de Bauru, onde eu e o Jota estudamos durante, sem dúvidas, os quatro melhores anos de nossas vidas. Como queríamos subir no Wayuana Picchu, fomos apressar o guia para não corrermos o risco de não poder subir a montanha. Há uma quota, somente 200 pessoas por dia.

Ah, Machu Picchu é fantástica e estando lá é possível entender porque ela foi a única cidade inca que não foi descoberta pelos espanhóis! Ela é cheia de pontos estratégicos e está em uma área de difícil acesso. Frustante foi saber que a família do menininho que acompanhava o “descobridor” da cidade recebeu apenas um sol de consolação e ainda foi “despejada” da terra.

A sensação é de estar dentro de uma foto do Google Imagens. Sem dúvidas, vale mais do qualquer aula de história. Os incas eram geniais! Geniais pela arquitetura, geniais pela agricultura, geniais pela cultura... só vendo mesmo, não há muito como descrever a sensação.

Conhecemos uma parte do complexo e o guia nos deixou na entrada do Wayuana Picchu. Uma hora e dez de subida intensa, é muita escada! Todos os gringos que nós encontrávamos nos diziam que faltavam apenas 15 minutos para o topo. Era mentira, claro! Difícil também era respirar na altitude, o cansado era evidente.

Depois de uma longa caminhada chegamos e a sensação era, mais uma vez, indescritível. Machu Picchu agora parecia feito de pecinhas da Lego! Sensacional porque muitas vezes questionamos se conseguiríamos subir, já que não somos nada atléticos...rs. Ficamos lá em cima por uma hora e meia, mas começou a chover e achamos melhor descer, o que foi bem mais rápido, é claro.

Não teve jeito, tivemos que pagar 10 soles pela água! A Mari tava com muita dor nas pernas e, então, ficou na lanchonete nos esperando porque eu e o Jota voltamos para conhecer o restante da cidade debaixo de muita chuva. Saímos de MP por volta das 15h30, já que tínhamos sair do hostal às 17h (pechinchamos e conseguimos deixar as malas lá por 10 soles além da diária).

No hostal, o bom e velho banho! Nosso trem partiria às 20h para Ollanta, mas antes de ir embora tentamos comprar uma cusqueña pro Jotinha que mais parecia um chá, de tão quente. Não há cerveja gelada.

Chegamos em Ollanta e já pegamos um ônibus para Cuzco, 5 soles. Logo depois chegou o trem local, que transporta somente peruanos e o ônibus encheu. Coitada da Mari, que foi do lado de um cara de parecia ter uma cebola embaixo do braço. Eles tem um cheiro peculiar, meio estranho para nós!

Chegamos em Cuzco e fomos procurar um hostal. Desta vez, 60 soles o quarto triplo. Não era uma maravilha, mas tava bom. No dia seguinte iríamos visitar as ruínas de Tambomachay, Pukapukara, Qenqo e Saqsayhuamán. Depois, seguiríamos para a cidade de Puno.

sábado, 30 de janeiro de 2010

2º dia - Vale Sagrado e Águas Calientes

Acordamos cedo, fizemos nosso “desayuno” e fomos para a Plaza de Armas, de onde sairia nosso ônibus para o Vale Sagrado. A primeira parada em uma feirinha de artesanato, distante 17 km de Cusco. Lá comprei algumas coisas incrivelmente baratas. A próxima para já seria nas ruínas de Pisac.

Era segunda –feira, portanto, não havia feira em Pisac, pois só acontece as terças, quintas e domingos. Assim que chegamos compramos nosso boleto turístico, 130 soles. A Mari conseguiu usar a carteirinha antiga da pós-graduação e pagou a metade do preço.

Até então, quase não havíamos sentido a altitude, mas realmente a subida foi cansativa. Ainda bem que ninguém passou mal! Realmente, um mochilão desses vale mais do que qualquer aula de história ou geografia. A guia que estava com a gente explicou muitas coisas interessantes e incríveis. Ninguém sabia que os pulmões dos habitantes da região andina são no mínimo três vezes maiores que os nossos! Afinal, respirar na altitude é preciso! É por isso também que eles são pequenos e com o corpo um pouco triangular.... para abrigar pulmões tão grandes! O aprendizado vai além da história!


Ruínas de Pisac

De Pisac seguimos para Ollanta, onde também embarcaríamos para Águas Calientes. Vale ressaltar que infelizmente esses locais foram atingidos por fortes chuvas na última semana e estão, literalmente, embaixo d’agua. Em Ollanta, conhecemos mais algumas ruínas e depois o ônibus seguiu para Chinchero.

Nós não seguimos viagem, ficamos conhecendo o povoado e fomos na feira de artesanatos, onde uma “chica” queria trocar uma mercadoria pela minha mochila pequena. Juro que pensei duas vezes, mas ia ficar sem mochila depois e a viagem ainda estava no começo..hehe.


Vista de cima - Povoado de Ollanta


Tomei um caldo de alho muito bom em Ollanta, estava frio e o trem só ia sair às 21h30. Chegamos em Águas Calientes por volta das 23h e fomos para um hostal que, segundo a moça, era “muy cerca y bueno”. Nem perto, nem bom, nem com chuveiro funcionando, foi uma luta até água esquentar. No entanto, os 40 soles pagos pelo quarto triplo foi o suficiente para descansar para o dia seguinte: Machu Picchu.

De São Paulo a Cuzco



É claro, a expectativa estava grande, afinal tinha chegado o grande dia e o nosso mochilão ia começar. O vôo saiu de Cumbica ás 18h50 e às 21h00 já estávamos no aeroporto de Lima. Resolvemos ir até Miraflores porque a conexão para Cuzco sairia só às 10h00 do dia seguinte (20/12). Foi ai que fomos surpreendidos pela primeira vez na viagem!

Combinamos 25 soles com o taxista até Miraflores, mas ai ele começou com papo de que iria ficar muito caro e pra voltar e que era melhor a gente ficar em um outro lugar que também era super agitado, a Marina. Acreditamos nele e depois, além de pagarmos 10 soles a mais, fomos parar no risca faca de Lima.

Resolvemos parar em um bar que eu não me lembro o nome, mas que parecia ter saído da vilinha do Chaves. Ficamos lá um por um bom tempo, experimentamos várias cervejas e “ai, sim! Fomos surpreendidos novamente!”. Perguntamos para o dono do buteco o que era a porção de papas al hilo e ele não soube explicar, logo não conseguimos entender e quando chegou o prato estávamos em frente a um grande prato de batata palha! Hahahaha, foi ridículo!

Ficamos lá mais um tempo e depois decidimos procurar outro lugar. Na avenida um monte de “pollerias” e a gente não tava com a mínima vontade de comer frango. Várias baladas estranhas! Achamos melhor não entrar porque além da cara de turista, estávamos com nossas mochilas.

Já era madrugada, voltamos para o aeroporto e passamos a noite mais interminável de nossas vidas. Brincamos de “O Terminal” até a saída do vôo para Cuzco. O Jota conseguiu dormir um pouco, mas eu e a Mari resolvemos sair do aeroporto pela manhã para tirar umas fotos. Foi ai que vimos uma galera comendo pão com ovo, vendido no ponto de ônibus! Não, nós nem cogitamos a hipóteses de comer um.

Depois de muitas horas de espera, embarcamos para Cuzco. Chegando lá, uma porção de pessoas oferecendo hostal. Não aceitamos nenhum, é preciso pechinchar! Conversamos com um taxista muito gente boa, o Willy (Cualquier cosa que necesitas, llamas a Willy!) que levou a gente pra um lugar bem bacana, próximo a Avenida El Sol, duas quadras abaixo da Plaza de Armas. Preço: 70 soles o quarto triplo. Fechado!Tomamos banho e tiramos o dia para conhecer a cidade e suas pequenas ruas.

Conseguimos almoçar por 15 soles, menu turístico, que traz uma sopa ou creme de entrada, o prato principal, o postre ( sobremesa) e uma bebida. Experimentei carne de alpaca e me pareceu um pouco forte, mas depois achei muito boa! Tomamos o famoso pisco sour, mas confesso que não curti só pelo fato de saber que aquela espuminha é clara de ovo..hehhee.

Aproveitamos para já providenciar nosso passeio ao Vale Sagrado ( 20 soles por cabeça) porque nosso trem para Machu Picchu sairia na segunda, 21/12, a noite. Compramos várias coisas porque estava meio frio, então nos equipamos de toucas, luvas, meias e blusas típicas. Todo turista faz isso!

Já nesse primeiro dia, muito me impressionou o misto de beleza e pobreza na ruas de Cuzco. São principalmente mulheres e crianças pedindo dinheiro (Um sol por mí señor) ou cobrando por fotos.



Pela noite fomos ao Mushroom, mas estava vazio! Bebemos algumas cusqueñas e mojitos e fomos dormir. No Mama Àfrica, a balada mais cobiçada de Cuzco, não havia nada...apenas aulas de Salsa.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Engraxate



Chiquito peruano engraxa sapatos de turista na Plaza de las Armas, Cuzco, Peru

domingo, 18 de outubro de 2009

A irônia de Inglorious Bastards


A sensação é indescritível. Além de cômico, o filme revela quanto o ser humano é impiedoso. Não pelas atrocidades nazistas que já conhecemos, mas pelo seu desfecho de efeito espetacular.

Ao exterminar todos os nazistas de uma só vez na explosão do cinema da jovem judia Soshanna, Quentin Tarantino desperta no público o mesmo sentimento de satisfação que o caricato personagem de Adolph Hitler expressa durante todo o filme. Logo no início, no diálogo entre o camponês Pierre LaPadite ( Denis Menochet) e o caçador de judeus, Hans Landa (Christoph Waltz), Tarantino explora a insanidade do nazismo: ninguém sabe porque os ratos são odiados, eles servem apenas para serem mortos. Essa é a sensação reveladora e assustadora despertada ao ver a cúpula nazista ir pelos ares.

A construção dos diálogos e dos capítulos parece nos colocar no filme, regado ao banho sangue característico dos filmes de Tarantino. Os Bastardos, grupo liderado pelo irônico Aldo Raine (Brad Pitt) é simplesmente hilário. As doses de violência e sarcasmo parecem combinadas homeopaticamente.

Sensacional!

Veja o trailer:

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Search...

Odeio quando sou chamada para fazer entrevista de emprego e quando chego na empresa, cadê a entrevista? Prova é prova, entrevista é entrevista e ponto. Na verdade, o que me irrita não fazer a prova, mas sim ver a pretensão dos futuros patrões em achar que sou o sistema de busca do Google.

Esta semana participei de uma seleção que perguntava quem era Ana Hickman. Ora, mas que importância tem a Ana Hickman dentro das funções que teria que desempenhar. Como postou o André Coxa, que também participou da mesma seleção, no Twitter: “Se eu respondesse modelo, apresentadora e gostosa pra caralho seria considerado resposta 100% correta?”. Seleções assim, as vezes, me parecem sem critério.

No entanto, apesar desses dissabores, preciso continuar minha busca até que hoje encontrei um dos anúncios de emprego mais engraçado que já vi na vida. A Mythos Editora, que faz a produção editorial dos quadrinhos da Panini Comics, está buscando um sidekick (assistente editorial). O anúncio é muito criativo, como se fosse uma história em quadrinho e a ficha de inscrição pergunta até “por que acha que pode ser um super-herói dos quadrinhos?”. Sensacional. De uma forma descontraída, os conhecimentos específicos do candidato são testados. Gostei porque as perguntas não são feitas aleatoriamente, mas não me candidatei porque não sei nada de HQ.

Pra quem ficou curioso, é só dar uma olhada lá: http://www.mythoseditora.com/vaga/

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Metrô, o melhor amigo de São Paulo...ou de quem estiver carente

Ela era uma senhora gorda, usava galochas de oncinha e um casaquinho da mesma estampa. No rosto, os óculos de sol não escondiam somente os seus olhos. Uma “coroa” moderna. O metrô estava vazio e ela falava muito alto, a única alternativa era escutar a conversa dela com uma mulher que estava sentada ao seu lado. Elas não eram amigas, haviam acabado de se conhecer.

O grande problema da senhora era a sogra dela. “Aquela cobra só quer por o meu marido contra mim”. Ora, o que a outra mulher tinha a ver com isso? Se fosse comigo, nem daria atenção. E ela continuou: “Sábado ela ligou dezenove vezes no meu celular, eu não quis atender porque já sabia o assunto, não podia falar na frente das minhas amigas. Depois ela foi e falou um monte do pro meu marido.

- Ela é o demônio!

Confesso que nessa hora não aguentei e deixei um leve sorriso escorregar em meus lábios. A outra mulher, ainda calada, resolveu se manifestar: “Pois quem é o demônio na minha família é a minha mãe!”. Mais uma vez sorri, afinal porque elas tinham que contar a vida delas pra todos que estavam no vagão? Fiquei com ódio, mas segundos depois tive pena. Mesmo cercadas pelos amigos de trabalho e pela família, ambas estavam carente e, por isso, contariam seus problemas para o primeiro cachorro que encontrassem na rua. È muito comum encontrar, em transportes coletivos, andares solitários no meio da multidão, como essas senhoras.

Deve ser difícil não ter ninguém para compartilhar as desventuras do cotidiano. Mas elas não se importaram e por vinte minutos se tornaram amigas de infância. O condutor anunciou:

- Estação Santana.

Elas se despediram, desejaram boa sorte uma para outra e, provavelmente, nunca mais se encontrarão na vida.